Entrevistas e tudo o que você precisa saber sobre a produção de Samurai Champloo

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No momento, estou escrevendo um post sobre Samurai Champloo, meu anime predileto, para a coluna Zaregoto, que mantenho sem regularidade alguma no Chuva de Nanquim. No texto, cito por vezes sem conta entrevistas e ensaios presentes no artbook Romam Album: Samurai Champloo, lançado nos EUA pela editora Dark Horse. E, a fim de dar mais legitimidade a tais apropriações, estou disponibilizando uma digitalização porca, porém legível desse material. Recomendo que salvem as imagens e visualizem no programa de sua preferência em vez de fazê-lo diretamente no navegador. Enfim, se você é um fã da série e quer saber mais sobre os detalhes de sua produção, divirta-se com o conteúdo abaixo: Continuar lendo

Muramatsu Ken: o jazz japonês e seu reflexo na industria dos animes


Isso pode surpreender aqueles que associam inconscientemente a música japonesa a arranjos antiquados e monótonos ou, no pior dos casos, a indústria das idols, que produz incessantemente cantoras e grupos de veia artística questionável, mas o fato é que o jazz, desde os tempos áureos do bebop e do free, é bastante expressivo na indústria fonográfica nipônica.

Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem: marco na animação, marco musical

 
Uma fantasia que poderia ser fruto da mente imaginativa de uma criança qualquer, que, ao criar todo um universo onde seus brinquedos protagonizem a mais fascinante epopeia, não se preocupa com pormenores críticos, “coisas de adulto”, como explicações e conceitos prosaicos ou ações realísticas. À luz da cena final de Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem, na qual, anestesiados pela incrível hora que a precedeu, descobrimos que tudo que se passou pode ter sido apenas um devaneio juvenil, fica evidente a intenção por trás desse inusitado projeto, que reuniu uma das mais criativas equipes que o mundo da animação já viu. A tal ideia? Fazer uma homenagem a tempos mais simples, joviais – aqueles em que formamos nossas bases referenciais. O resultado? Êxito incontestável.
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O hip hop e o Japão como berço da produção alternativa contemporânea

“A formação e a firmação das cidades ‘grandes’ (metrópoles), enquanto habitat de grupos sociais trouxe inúmeros problemas inerentes às novas formas de sociabilidades. Entre eles a fragmentação dos grupos, convencionado a partir de 1970 de ‘tribos urbanas’, cujos indivíduos constantemente passam por uma crise de identidade.” (MAFESSOLI, 2006).

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Dave Brubeck Quartet – Jazz Impressions of Japan

 
Mais do que um pianista brilhante, David Warren Brubeck é também um herói de guerra que, sem discursar sobre palanques, tornou-se um dos grandes ativistas pelos direitos dos negros norte-americanos. Sua história pode ser facilmente encontrada em passeios pela internet, mas há uma parte crucial desta que poucos, como o cineasta Ken Burns em sua obra-prima “Jazz”, o maior documentário sobre o gênero já realizado, se preocupam em contar: Ao combater na Segunda Guerra Mundial, Brubeck integrou algumas das lendárias bandas que, em meio à matança desenfreada, erguiam o ânimo das tropas com o jazz comercial do período, o swing. Embora os EUA fosse ainda um país absolutamente racista, brancos, como o Brubeck, e negros norte-americanos, isolados, sem perspectiva de retorno, lutaram e fizeram música lado a lado durante aquele período. Porém, de volta à América, vencida a “xenófoba” ameaça, Brubeck descobriu que o preconceito em seu próprio país em nada havia mudado.


No auge dos anos 1940, desde as big bands até os pequenos grupos de maior sucesso eram compostos uniformemente por artistas brancos. Inaugurada décadas antes, ainda reinava a distinção entre o jazz branco, que dominava as rádios, e o jazz negro, segregado, perseguido (fato que é bem ilustrado no recente e magnífico Sakamichi no Apollon), embora evidentemente mais poderoso, complexo e visionário. Brubeck, inconformado com a hipocrisia da industria fonográfica, que excluía dos holofotes voltados ao jazz seus criadores, e da sociedade estadunidense como um todo, que permitia que se morresse ao lado de soldados negros, mas repreendia quem tentasse fazer arte junto a eles, foi um dos primeiros a romper com esse sistema. Foram inúmeros os entraves iniciais; num primeiro momento, gravadora alguma se dispunha a assinar com seu quarteto inter-racial. Entretanto, anos depois, alcançando o sucesso, a integração promovida por tal formação abriu caminho para que, enfim, os negros protagonizassem o cenário musical de um estilo por eles desenvolvido mais de meio século antes.
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